sábado, 14 de julho de 2012

O GATO PRETO

                      

As superstições acerca dos gatos começaram desde muito cedo. Os primeiros povos a atribuir uma aura mística ao gato foram os egípcios que o idolatravam, tendo mesmo um deus com a sua forma física, Bast. Em honra desta divindade, os egípcios mantinham gatos pretos nas suas casas e davam-lhes honras reservadas a faraós, mumificando-os depois de mortos.
Mas foi na Idade Média que o gato viu a sua sorte mudar. Apesar de concederem um importante serviço ao homem, caçando os ratos que eram considerados uma praga por todo o lado, a verdade é que havia grupos de gatos vadios que faziam das cidades o seu território. A sobrepopulação terá sido o primeiro motivo pelo qual o gato deixou de cair em graça para passar a cair em desgraça.
A Idade Média ficou marcada pela bruxaria, superstição e febre religiosa. O gato, como animal independente e solitário, captou a atenção tanto de cristãos como pagãos.
No paganismo, o gato representa proteção e sabedoria, mas na magia negra, o gato preto macho personifica o diabo. No tarot, no baralho de Rider Waite, a Rainha de Paus é representada com um gato preto a seus pés, significando energia instintiva, mas domesticada.
O gato é um animal que caça durante a noite e era acolhido na Idade Média por pessoas sozinhas. Os gatos vadios eram os animais de estimação de pedintes e pobres, o que não favorecia a imagem do gato. Os olhos penetrantes que iluminam as noites contribuíram provavelmente para a catalogação do gato como espírito diabólico. A cor preta era a cor do mal e das trevas, o que tornou os gatos desta pelagem os mais perseguidos pelos inquisidores e cristãos. A sua associação a práticas pagãs provocou um maior distanciamento entre os cristãos e o gato. O fato de o gato ser várias vezes sacrificadas em rituais pagãos tornou-o num símbolo a combater.
Depressa começaram a surgir relatos que ligavam os gatos à bruxarias. Diz a lenda que por volta de 1560, em Linconshire, filho e pai foram assassinados por um gato preto que lhes cruzou o caminho. O animal mancava com vários arranhões e dirigiu-se para a casa de uma mulher que os habitantes da região suspeitavam que fosse bruxa. No dia seguinte, a mulher apareceu mancando com um curativo no braço.


E aí, quer sorte ou azar?
Outra história relatada conta que durante a noite um agricultor cortou a orelha de um gato.
O homem acreditava que o gato estava assombrando sua propriedade. No dia seguinte, o agricultor regressou ao local apenas para encontrar parte da orelha de um humano. Na Alemanha, as histórias sobre a dualidade bruxa/gato preto são comuns. Uma mulher após ter sido acusada de bruxaria e condenada à fogueira, transformou-se em gato preto enquanto ardia. Foi assim que surgiu o mito de que as bruxas se transformam em gatos pretos durante a noite. E foi também desta forma que se encontraram justificações para perseguir estes animais.
Juntamente com as lendas, surgem também outros fatos históricos que, na época, serviam de base de sustentação a muitas superstições. O Rei Carlos I da Inglaterra tinha um gato preto como animal de estimação. Ele acreditava que o seu gato lhe trazia sorte. Coincidência ou não, o gato morreu um dia antes de Carlos I ter sido preso por Oliver Cromwell. O Rei foi acusado de traição e mais tarde decapitado.
Surpreendentemente, o gato preto sobreviveu a décadas, se não séculos de perseguição. A sua pelagem negra, pela qual era perseguido, era também uma vantagem quando caçava à noite, fundindo-se com a escuridão. Naqueles tempos, não faltava alimento para os gatos, uma vez que os ratos abundavam pelos campos e cidades.
Na época do Renascimento, a Igreja Católica tinha já abrandado a caça aos pagãos. Esta foi uma boa notícia para o gato, pois os cristãos tinham conseguido reduzir a prática do sacrifício de animais, e em particular dos gatos com pelagem preta, e, além disso, deixaram de ser perseguidos pelos próprios cristãos.
No entanto, na Idade Média resistiram às superstições profundamente enraizadas na cultura popular. Apesar de no Brasil ser mais comum associar o gato preto a um mau presságio, são várias as crenças que lhe são favoráveis em outros países.

Algumas Superstições Comuns:

Na Escócia
Um gato preto no alpendre traz prosperidade.

Na Itália
Ouvir um gato preto espirrando traz boa sorte.
Se um gato preto se deita na cama de uma pessoa doente, significa que a morte dessa pessoa está perto.

No Brasil
Se um gato preto cruza uma estrada, é sinal de má sorte.

Em Portugal
O gato preto que cruza o nosso caminho traz má sorte.

Na Irlanda
O gato preto que cruza o caminho de alguém durante noites de luar, é prenúncio de epidemia.

Na Inglaterra
Na costa de Yorkshire, as mulheres dos pescadores acreditam que os seus maridos regressarão sãos e salvos da faina se mantiverem em casa um gato preto.
Entre os pescadores é comum a crença de que os gatos pretos mantidos em casa enquanto saíam para pescar era sinônimo de bom tempo no alto mar. Há quem defenda que o preço dos gatos pretos chegou a aumentar de tal forma que vários marinheiros não tinham dinheiro para comprar um.

Em algumas regiões da Inglaterra acredita-se que oferecer um gato preto à noiva trás sorte.

Na França
No Sul deste país, acredita-se que cuidar de um gato preto trás boa sorte.

Na Alemanha
Um gato que cruza o caminho de uma pessoa da direita para a esquerda é mau presságio, mas da esquerda para a direita é boa sorte.

Na Letônia
Para os agricultores deste país, encontrar um gato preto nos reservatórios de sementes é uma ótima notícia. Para eles, estes gatos são o espírito de Rungis o Deus da Colheita.

Superstições Atuais

Hoje em dia, o gato preto continua sendo mais do que um gato de pelagem escura. Ainda há quem veja nele sinal de boa ou má sorte. Num estudo realizado em associações de animais dos Estados Unidos da América, constatou-se que o gato preto era a segunda pelagem menos desejada. A primeira era a castanha. Assim, o gato preto era sempre dos últimos a ser adotado numa ninhada de gatos de várias cores.
 A
centuando a ideia de que o gato preto ainda não é visto como um outro gato qualquer, nos Estados Unidos da América, onde há uma forte tradição de festejar o Halloween (Noite das Bruxas), algumas associações de animais têm uma política especial que implementam nessa época. Neste feriado manteve-se em alguns locais a tradição de sacrificar animais, entre eles o gato preto. Por esta razão, a adoção destes gatos fica suspensa algumas semanas antes e depois desta festividade.
Em Portugal, as superstições sobre os gatos pretos não parecem ter tanta força e é bastante comuns encontrar um gato preto como animal de estimação. Não deixa de ser curioso que na Inglaterra, apesar da caça às bruxas e aos gatos vividos na Idade Média, as superstições que resistiram associam invariavelmente o gato a bons sinais.
Contudo, o gato preto parece ainda estar muito longe de recuperar a posição que tinha no Antigo Egito. Ou talvez não, uma vez que, tal como os outros gatos, parece ser perito em ganhar a adoração dos donos.

sábado, 16 de junho de 2012

O CAMINHO DA BRUXARIA


Neste caminho não existem respostas prontas e rápidas. É o que tenho percebido...
É preciso coragem para mergulhar nas profundezas de nosso ser.
É necessário sair da letargia e colocar em prática os nossos desejos, para que eles se tornem realidade.
É preciso acreditar, mas é muito mais necessário questionar...
Não seja uma bruxinha, vai com as outras. Não aceite verdade absolutas dos outros. Melhor não aceitar nem as suas verdades absolutas... rs
Permita-se mudar...
Permita-se questionar...
Permita-se adaptar...
Permita-se CRIAR e RECRIAR quantas vezes forem necessárias...
Prefira ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...

Nome Mágico

Muitas pessoas tem-me escrito perguntando sobre o Nome Mágico...
"O ato de dar um nome diferente para alguém que passa por uma cerimônia sagrada está presente em muitas culturas. Isso representa a separação do eu mundano, aquela parte de nós que usamos no dia-a-dia, do Eu mágico, a parte de nós usada quando praticamos magia.
No ritual de Dedicação ganhamos um novo nome, um Nome Mágico. Esse é o nome pelo qual seremos reconhecidos na comunidade Pagã e dentro do Coven.
O uso e a escolha de um nome mágico apropriado nos dá a possibilidade de resgatar o poder sobre nós e sobre nossa identidade.
Esse nome deve descrever quem a pessoa é e o que ela deseja ser ou se tornar. Na realidade o Nome Mágico reflete a natureza da pessoa.
Sendo assim não deve ser escolhido aleatoriamente. Esse nome deve descrever a força, o interior, a visão de mundo da pessoas que o está escolhendo.
Existem 3 tipos de nomes distintos;
O Nome da Arte : aquele nome que recebemos quando passamos pelo ritual de Dedicação. É um nome público.
O Nome de Círculo ou Coven: o nome que pode ser conhecido pelos membros do Coven ao qual pertencemos e é o nome pelo qual somos chamados quando estamos dentro do Círculo Mágico em nosso Coven.
Nome Iniciático, Secreto ou Mágico: é o nome que recebemos em nosso Ritual de Iniciação e que deve ser mantido em sigilo. Só conhecido por nós e pelos Deuses e às vezes pela sacerdotisa e/ou sacerdote que nos iniciou.

O primeiro passo para a escolha do nome é prestar atenção em sua personalidade.
· Quem você é?
· No que acredita?
· O que deseja atrair para sua vida?
· Com quais cores, animais, flores ou outros elementos da natureza sente alguma relação profunda?
· Possui alguma ligação ou gosto pessoal por alguma Deusa ou Deus?

Baseado nessas indagações, procure por um nome que realmente tenha a ver com você e referências em inúmeras fontes:
· Natureza
· Cores
· Animais
· Deusas e Deuses
· Mitos
· Ervas, árvores e plantas
· Pedras
· Planetas
Se mesmo com essas dicas, você ainda sente dificuldade em criar ou escolher seu Nome Mágico ou não deseja um em Português, tente listas, com nomes de diferentes culturas."
Fonte: Adaptado do livro: Coven - criando e organizando seu próprio grupo - Claudiney Prieto

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O QUE ESTUDA UMA BRUXA ?


A Bruxa estuda astrologia, biologia, hermetismo, herbologia, horticultura, diversas religiões, história geral, alquimia, terapias alternativas...
Todos os caminhos necessários para que ela desenvolva seus dons naturais e também sobrenaturais.
Toda Bruxa tem uma biblioteca abundante. Livros de muitos assuntos... Assuntos diversos!
A bruxa estuda oráculos, várias bruxarias para suas práticas no ofício e sempre está em busca de novos conhecimentos...
Não há na bruxaria, como renegar algo a estudar... Todos os assuntos são necessários para o ofício da bruxa!
A bruxa estuda cristais, simpatias, feitiços...
A bruxa estuda a história da música, e a história medieval...
É, o caminho da bruxa está em estudar!
A bruxa estuda de um tudo um pouco... Estuda ciências...reticências... Estuda a lua, o vento, o tempo... Estuda etnias...
Eu principalmente gosto da Etnia Celta... cheia de encantos!
A bruxa estuda teosofia... A sabedoria divina! A sabedoria dos deuses!
A bruxa estuda o poder das velas... O poder das cores... O poder da alma!
A bruxa estuda seu íntimo... Suas atitudes e pensamentos. Suas verdades!
A bruxa estuda os elementos... Estuda os animais... Estuda a natureza!
A bruxa estuda muitas artes... Geralmente vivem das artes!
A bruxa estuda a teoria e a prática de quase tudo. Tudo nos interessa...
Tudo nos acrescenta conhecimentos que se juntam, para formar o nosso poder mágico!
A bruxa estuda rituais... Mantras... Ervas!!!
Ela estuda números... Cabala, e tudo mais!
A vida da bruxa é estudar sempre!
A bruxa estuda símbolos runas, tarô... Na verdade estuda todos os tipos de sortilégios e oráculos!
Há bruxas que não dispensam a cozinha... Estudam receitas e mais receitas mágicas de cozinha!!!
Mas um assunto que todas as bruxas estudam... Até as mais preguiçosas é a INQUISIÇÃO!!!
Esse contexto serve para muito aprendizado e entendimento de suas antepassadas!!!
A bruxa estuda fadas, gnomos e dragões... Estuda animais totens... E coisas do outro mundo!!!
A bruxa estuda as lições de primeiros socorros... E encantamentos de cura!
Tem bruxas muito ligada em artesanatos.
Eu por exemplo, sou tricoteira... Mas gosto também de fazer perfumes naturais e artesanais...
Já fabriquei alguns muito bons!!!
Na verdade, estudar a magia é estudar a própria vida!!
Com seus textos e contextos!!!
Espero que você entenda o que quis falar até agora...
O melhor caminho da bruxaria...
O caminho mais iluminado e mais verdadeiro, é o estudo constante!!!
Sempre temos algo a aprender a acrescentar nas lições antigas, nos contextos novos e nos antigos!!!
Todos carregam uma escola inteira de lições diferentes...
Precisamos apreciar todos os ensinamentos!!
Com carinho especial a todas as bruxas e magos, estudiosos da arte mais antiga do mundo,
a arte da bruxaria, arte da vida, do viver bem consigo mesmo e com os outros!!
A arte de estudar o auto-conhecimento...

VOCÊ QUER SER UMA BRUXA OU BRUXO?


Você quer ser uma bruxa ou bruxo? Sabe o que você precisa para chegar a sua meta?
Precisa seguir o chamado do seu coração, saber que a sua dedicação somente poderá ser feita por amor.
Precisa praticar sua busca pessoal com boa literatura, dedicar-se aos estudos de todas as formas possíveis e de posse do conhecimento, começar suas práticas, pois a maioria dos bruxos "hoje de renome", começaram sua jornada como um praticante solitário.
Não tente acelerar o processo de aprendizagem na magia, ele é demorado, porém garantido e gratificante, e não precisa mesmo ter pressa pois somente com a pratica você irá moldar seu poder em magia.

Já tive pressa ...

Mas hoje danço a melodia da vida com calma, procurando sempre aperfeiçoar, com destreza todos os meus passos concentrando-me na leveza dos pássaros, no canto das águas e na simetria dos ventos.
E vou seguindo...
Passo a passo, sem pressa e sem lamentos.
E quando a tempestade se aproxima, pouso a cabeça nas asas do amor e respiro com a certeza que o sol nascerá novamente.
A Deusa muda de fase assim como a Lua, por isso o título de Deusa Triplice.

A Deusa é a Donzela, a Mãe e a Anciã.
Os elementos da natureza são considerados manifestações da Deusa viva;
A Terra é o seu corpo,
O Ar é o seu sopro,
O Fogo é o seu espírito,
A Água é o seu útero que gera a vida.
Na Lua Nova começa todo um ciclo de vida.
Na Lua Crescente ela é a Donzela; é associada à adivinhação, aos ritos mágicos, à clarividência e aos encantamentos.
Na Lua Cheia ela é a Mãe e está ligada à fertilidade, a sexualidade, ao parto e as inovações.
Na Lua Minguante ela é a Anciã; ela representa então o renascimento, a transformação e a ligação com outros mundos.

A vida é dinâmica, está em constante mudança. Por que então pensar que as pessoas têm que permanecer as mesmas? Elas também mudam. Dê a elas uma chance de mostrar e permita que seus olhos possam ver. Eles também mudam a forma de olhar o mundo.
O verdadeiro bruxo respeita a natureza, e por natureza ele entende absolutamente tudo o que não é feito pelo homem, inclusive os minerais. Quando preserva a natureza, suas preocupações não são a viabilidade da manutenção da vida humana na Terra, o verdadeiro bruxo respeita a natureza simplesmente porque se sente parte dela, porque a ama.
Os bruxos não acham que a natureza está à sua disposição.
Os homens, os minerais, os vegetais e toda a espécie de animal são apenas colegas de caminhada, nenhum mais ou menos importante que o outro.
Ainda assim, matam insetos que lhes incomodam e arrancam mato que cresce nos canteiros de flores sem dramas de consciência. Não são falsos em suas crenças nem românticos idealistas. Acreditam que conflitos fazem parte da natureza.

Nenhum verdadeiro bruxo buscará doutrinar aqueles que têm outro credo. Para os bruxos, a fé só é verdadeira se resulta de escolha individual e espontânea. Nenhum verdadeiro bruxo realizará qualquer tipo de magia no intuito de se beneficiar de algo que prejudicará outra pessoa. Para os bruxos, cada um tem seu próprio desafio a enfrentar. Usar de qualquer subterfúgio para escapar dos desafios que se apresentam é apenas adiar uma luta que terá de ter lugar nesta ou em outras vidas. Adiar problemas é o mesmo que acumulá-los para as próximas encarnações.

Quando alguém o receber com raiva ou irritação, procure não responder. Não entre na energia de agressividade do outro, para que isso não afete o seu equilíbrio emocional e mental. Aquiete-se por um momento, irradie luz sobre vocês e, se preciso, afaste-se. Se você conseguir silenciar, sua raiva se dissipará em poucos momentos. Se for difícil para você engolir desaforos, procure imprimir à sua voz um tom mais ameno, com firmeza, porém, educação. Quando se recebe a agressão, pode-se ficar com ela, com metade dela ou com nenhuma parte. A escolha cabe a você.


O amor genuíno é inabalável. Não se deixa enganar nem desanimar. Não aprisiona, não cobra, muito menos machuca. O amor genuíno é aquele que liberta, que tudo compreende e que nada pede em troca além da alegria de sentir no coração que fez alguém feliz.

sábado, 12 de maio de 2012

ERVAS E BRUXAS DE ASFALTO



Pra quem não tem herbário.

Nem vaso e nem plantação.

Pra não ser uma bruxa incompleta.

Talvez lhe ajude a lição.



Alho afasta vampiros.

Colorau incita discórdia.

Cravo impede a inveja.

Louro concede a vitória.



Salvia limpa ambientes.

Pimenta põe pra correr.

Noz moscada chama dinheiro.

Canela também pode ser.



Café afugenta os espíritos.

Erva doce traz calmaria.

Sal corta energias.

Laranja só traz alegria.



Por isso e pra se prezar

Bruxa de asfalto sem terra

Não fique nunca acanhada

Sem ervas e aperreada.



Basta ir ao mercadinho

Pois encontra rapidinho

E sem preocupação

A erva pra sua porção.





O LIVRO DAS SOMBRAS


Esse é o nome dado pelas bruxas contemporâneas para o livro no qual são descritos seus rituais, invocações e encantos. Não é um termo antigo surgido na Inquisição, como é erroneamente dito por aí, visto que a maioria das pessoas nesta época era analfabeta, sendo impossível manter um livro escrito à mão.

O termo "Livro das Sombras", vem do termo inglês Book Of Shadows e é muito comum você ler esse segundo termo em muitos livros e sites (ou sua abreviação: BOS). Todo coven - e toda(o) bruxa(o) solitária(o) - deve ter o seu Livro, pois é quase que uma base de todo o seu trabalho ritualístico. Tudo o que se refere à Wicca e à Bruxaria pode ser incluído nele.

Não se trata de um livro antigo ou famoso, apesar de muitos terem essa impressão. Não existe "um" Livro das Sombras; cada bruxa ou coven tem o seu, tradicionalmente escrito à mão. Esse trabalho escrito é chamado de "livro das sombras" porque seu conteúdo só pode ser a sombra das realidades deste mundo.

Nele, você irá escrever todos os seus feitiços, rituais, correspondências, invocações, cânticos e o que mais for necessário para a realização dos rituais. Muitas bruxas e bruxos gostam de ter mais outros dois livros: um para ser usado como diário de sua vida mágica, anotando desde sonhos até pensamentos sobre a religião, e outro para anotar informações históricas, dados sobre o Paganismo etc. Acredito que este seja um modo bastante interessante de se trabalhar.

O Livro das Sombras tem tradicionalmente a capa preta com o pentagrama cravado na capa, mas você pode cravar outros símbolos e até mesmo utilizar outras cores como verde, marrom, azul marinho. Tente se concentrar em cores e materiais naturais.

Uma antiga regra dos covens era que, quando alguém morria, seu livro deveria ser queimado. A razão principal era poupar os familiares da bruxa, pois a descoberta de tal livro poderia deixar-lhes em uma situação difícil, especialmente em famílias onde o culto era passado de geração para geração.

Dúvidas sobre o Livro das Sombras


Minha mãe nem "sonha" que eu pratico Bruxaria. Meu B.O.S. fica escondido na casa do meu vizinho. Tem problema? (enviada por e-mail)

Se ele for bruxo e vocês praticarem juntos, não há o menor problema. Os covens têm seus próprios livros e eles ficam em poder de um só membro do grupo, designado com tal função.

Se o seu amigo não for praticante, não é aconselhável.

É errado eu colocar pedras na capa do meu B.O.S. para que as energias das pedras vão para o livro? (enviada por e-mail)

Não, muitos praticantes colocam não só pedras como folhas, flores, penas, pêlos etc.

Ainda não sou iniciada(o). Posso ter meu Livro das Sombras?

Deve. Como você viu acima, ele é basicamente um registro de suas atividades na Arte. Sendo assim, é de extrema importância que você crie este vínculo desde o começo, organizando seus pensamentos escrevendo em um livro/caderno/fichário. Você verá rapidamente como seu Livro será um grande aliado, especialmente no começo.

Posso levar o Livro das Sombras para dentro do círculo e utilizá-lo nos rituais?

Não só pode como a prática é bastante comum. Nada mais chato do que precisar de algo que está escrito no seu livro e, quando perceber, ele está super longe e você precisa desmanchar o círculo, quebrando o clima. No entanto, procure não ler nos rituais. A espontaneidade sempre será a melhor pedida.



quinta-feira, 26 de abril de 2012

A RODA DO ANO







A concepção de tempo dos pagãos (O termo pagão significa: povo dos bosques), principalmente a dos Celtas era um tanto quanto diferente da atual. O tempo era para eles, não linear, mas circular, cíclico; há também o calendário, que era para eles lunar, enquanto que o nosso é um calendário solar.

Originários da tradição celta, os sabbaths ocorrem oito vezes ao ano, ou seja, duas vezes a cada estação. Nessas ocasiões, são homenageadas duas divindades: a Grande Mãe, ou simplesmente a “Deusa”, que simboliza a própria terra, e o Deus Cornífero, O Gamo Rei, protetor dos animais, dos rebanhos e da vida selvagem.

Quando os raios do sol diminuem sua intensidade ao cair da tarde é o momento de nos prepararmos para mais um dia. O povo Celta, assim como outros povos de origem pagã, celebram o começo dos dias através do anoitecer.

Cada anoitecer nos faz lembrar que a Deusa, com sua magia e seus mistérios, reinará através da Lua, das emoções, e das intuições, mostrando-nos que enquanto os homens se acalmam e repousam depois de um dia intenso de trabalho, os sacerdotes e sacerdotisas começam o semear de um novo dia.

O Deus, que também descansa durante a escuridão, se prepara para um novo nascer, para um novo brilhar, para um novo amanhecer.

Esse acordar e dormir, descansar e trabalhar, morrer e nascer fazem do dia e da noite momentos muito preciosos e de intensa comunhão entre o masculino e feminino. É preciso que as duas polaridades estejam em perfeita sintonia para que a Natureza possa se manter equilibrada. Da mesma maneira, como a imagem refletida é o complemento da imagem projetada, homens e mulheres precisam estar juntos para que a comunhão perfeita entre o Deus e a Deusa possa refletir em momentos de intensa união e perfeição.

Esses momentos de equilíbrio entre o dia e a noite, marcados pelo pôr do sol, a metade da noite, o nascer do sol e a metade do dia, se tornam de extrema importância para magias. Da mesma forma, os momentos entre cada um desses pontos também se tornam importantes. Em um suposto tempo linear: os quatro momentos principais seriam: 6h, meia noite, 6h e meio dia; e os secundários: 9h, 3h, 9h, e 3h.

Sabendo que o universo é perfeito e que tudo que há no macrocosmos tem seu correspondente no microcosmos, muitas vezes é preciso entender o micro para alcançarmos e sentirmos a importância do macro. Para muitas pessoas fica mais fácil compreender o universo através de pequenos momentos do dia-a-dia para se ter uma real noção da extensão dos grandes momentos.

Como podemos ver existem quatro momentos do dia (24h) que são pontos vitais, e há quatro pontos secundários que são pontos de equilíbrio. No processo de imagem refletida para imagem projetada, temos no ano (365 dias) quatro momentos vitais: o primeiro dia do ano e o primeiro dia do quarto, sétimo e décimo meses – dias que caem na divisão exata do ano em quatro partes iguais, em quatro elementos. Temos, também, quatro momentos secundários: a entrada de cada uma das quatro estações, delimitadas pelos solstícios e equinócios. Assim nossa roda do ano esta formada e em eterna harmonia com o universo.

Esta era a maneira de pensar e agir dos Celtas, que tinham seu calendário baseado nesses oito momentos do ano, quando reuniam-se em clareiras e templos para festejar ritualisticamente essas oito datas. A cada uma delas deu-se um nome:



Sabbat Oito datas Festivas - Data Norte e Data - Sul


Samhain: Fim e Início de um Novo Ano -31 de Outubro e 30 de Abril
Yule: Solstício de Inverno - 21 de Dezembro e 21 de Junho
Imbolc: Festa do Fogo (Luz, Sol)

– Noite de Brigit 1º de Fevereiro e 1º de Agosto
Ostara ou Spring: Equinócio de Primavera

– Festa da Fertilidade - 21 de Março e 21 de Setembro
Beltane:A Fogueira de Belenos

- Beltane - 1º de Maio e 1º de Novembro
Midsummer: Solstício de Verão - 21 de Junho e 21 de Dezembro
Lughnasadh: Festa da Colheita - 1º de Agosto e 1º de Fevereiro
Mabon: Equinócio de Outono 21 de Setembro 21 de Março



Samhain - O Fim e o Início de um Ano Novo para os Celtas
(31 de Outubro - Hemisfério Norte) e (30 de Abril - Hemisfério Sul)


Este é o mais importante de todos os Festivais, pois, dentro do círculo, Samhain (pronuncia-se SOUEN) marca tanto o fim quanto o início de um novo ano. Nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram.

... E o ano chega ao final! Nossos últimos alimentos são colhidos após o equinócio de outono, marcando o início dos meses em que viveremos com o que conseguimos estocar. Os alimentos fornecidos pela Grande Deusa devem agora alimentar seus filhos famintos e nutrir o Deus em sua caminhada pelo "outro mundo". O raio do trovão que atingiu o carvalho e fecundou a terra é a promessa do retorno do Deus através daquela que um dia foi sua amante, mas que agora será sua mãe: a Deusa. E assim o ciclo de vida, morte e renascimento volta a estabelecer o equilíbrio a Roda do Ano.

O "Outro Mundo" celta, também conhecido como o Abismo, é um lugar entre os Mundos; uma mistura de paraíso e atormentações. É o lugar no qual todos buscamos respostas para nossas perguntas mais íntimas, onde a fantasia se mistura à realidade e o consciente ao inconsciente. O Abismo é o local onde os heróis são levados para que possam confrontar seus maiores inimigos: seus próprios fantasmas. Somente vencendo esses fantasmas, que nada mais são que seus medos, preconceitos e angústias, eles poderão retornar como verdadeiros heróis.

Esta é a simbologia do Santo Graal; uma busca interior de algo que queremos erroneamente materializar neste mundo. Somente os cavaleiros que ousarem atravessar os portais do "Outro Mundo" e vencerem a si próprios serão contemplados com a plenitude do Graal.

Durante esta noite o véu que separa esses dois mundos está o mais fino possível, permitindo que espíritos do Outro Mundo atravessem o portal sem grandes dificuldades.

Por isso, a Noite dos Ancestrais é um momento de nos lembrarmos daqueles que se foram e habitam o Outro Mundo. É hora de honrarmos as pessoas que um dia amamos, deixando que elas nos visitem e comemorem conosco esse momento tão especial da Roda do Ano.

Samhain é o festival da morte e da alegria pela certeza do renascimento. O Deus morreu, e a Deusa, trazendo no ventre o seu amado, recolhe-se ao Mundo das Sombras para esperar o seu renascimento. Comemora-se aqui a ligação com os antepassados, com aqueles que já partiram e que um dia, como a natureza, renascerão. Os cristãos transformaram essa data no "Dia de Todos os Santos" e no "Dia de Finados", numa alusão supersticiosa a essa ligação.

É uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo período em nossas vidas, sendo comemorado com muito ponche, bolos e doces. A cor do sabbat é o negro, sendo o Altar adornado com maçã, o símbolo da Vida Eterna. O vinho é substituído pela sidra ou pelo sumo de maçã. Os nomes das pessoas que já se foram são queimados no Caldeirão, mas nunca com uma conotação de tristeza!

A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivo para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita de evolução.



Yule - Solstício de Inverno
(21 de Dezembro - Hemisfério Norte) e (21 de Junho - Hemisfério Sul)


É desta data antiga que se originou o Natal Cristão (no Hemisfério Norte). Nesta época, a Deusa dá à Luz o deus, que é reverenciado como CRIANÇA PROMETIDA. Em Yule é tempo de reencontrarmos nossas esperanças, pedindo para que os Deuses rejuvenesçam nossos corações e nos dêem forças para nos libertarmos das coisas antigas e desgastadas. É hora de descobrirmos a criança dentro de nós e renascermos com sua pureza e alegria.

Este dia também é chamado Alban Arthuan (A Luz de Arthur), na tradição druida. É o tempo da morte e do renascimento. O Sol parece estar nos abandonando completamente, enquanto a noite mais longa chega até nós.

Coloque flores e frutos da época do altar. Os sinos são símbolos femininos de fertilidade, e anunciam os espíritos que possam estar presentes.

Se quiser, pode fazer uma árvore enfeitada, pois esta é a antiga tradição "pagã", onde a árvore era sagrada e os meses do ano tinham nomes de árvores. Esta é a noite mais longa do ano, onde a Deusa é reverenciada como a Mãe da Criança Prometida ou do Deus Sol, que nasceu para trazer Luz ao mundo. Da mesma forma, apesar de todas as dificuldades, devemos sempre confiar em nossa própria luz interior.



Imbolc ou Candlemmas - Festa do Fogo ou Noite de Brigit
(01 de fevereiro - Hemisfério Norte) e (01 de Agosto - Hemisfério Sul)


Imbolc quer dizer: dentro do útero. O inverno ainda não foi embora, mas por baixo da neve a vida floresce e ganha força. As coisas não acontecem diante de nossos olhos, mas já estão lá, latente, pulsando, esperando o momento certo para vir à tona. A Deusa vagarosamente recupera-se do parto, e acorda sob a energia revigorante do Sol.

Esse é o também chamado Festival das Luzes, em que se acendem velas por toda a casa, mais especialmente nas janelas, para anunciar a vinda do Sol e mostrar ao menino Deus seu caminho.

Pedidos, agradecimentos ou poesias devem ser queimados na fogueira ou no caldeirão em oferenda, no fim do ritual. O Deus está crescendo e se tornando mais forte, para trazer a Luz de volta ao mundo. É hora de pedirmos proteção para todos os jovens, em especial para nossa família e amigos. Devemos mentalizar que o Deus está conservando sempre viva dentro de nós a chama da saúde, da coragem, da ousadia e da juventude. O altar deve ser enfeitado com flores amarelas, alaranjadas ou vermelhas.



Equinócio de Primavera - Ostara - Festa da Fertilidade
(21 de Março - Hemisfério Norte) e (21 de Setembro - Hemisfério Sul)


Pela primeira vez no ano o dia e a noite se fazem iguais. É, portanto, uma data de equilíbrio e reflexão. Os dias escuros se vão, e a terra está pronta para ser plantada. É quando os Deus e Deusa se apaixonam, e deixam de ser mãe e filho. Nessa data, a semente da vida é semeada no ventre da Deusa, a Donzela revigorada e cheia de vida e alegria.

O Deus é devidamente armado para sair em sua viagem no mudo das trevas e reconquistá-lo, para que posteriormente a luz volte a reinar.

Ostara é o Festival em homenagem à Deusa Oster, senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho. Foi desse antigo festival que teve origem a Páscoa.



Beltane – A Fogueira de Belenos – Casamento do Deus e da Deusa
(01 de Maio - Hemisfério Norte) e (31 de Outubro ou 01 de Novembro - Hemisfério Sul)


Pronuncia-se Bioltuin (Be-All-Twin) É o festival do casamento entre o Deus e a Deusa, a Rainha de Maio, a Virgem.

Por ser uma data de cunho profundamente sensual, foi talvez uma das mais sincretizadas pela cristandade. Assim, as fogueiras de Beltane e o Maypole (mastro adornado com as fitas coloridas trançadas) tornaram-se as fogueiras e mastros das festas dos santos "casamenteiros" cristãos, bem como o mês de Maio foi consagrado à Virgem Maria e tido como benévolo aos casamentos. Na tradição antiga as pessoas não se casavam durante o Beltane, pois esse mês é dedicado ao casamento do Deus e da Deusa.

BELTANE, em 01 de Novembro aqui no hemisfério sul, mas em 1° de Maio nos países nórdicos berços do culto, representa a entrada do jovem Deus para a idade adulta. Incitados pelas energias da Natureza, pela força das sementes e flores que desabrocham, a Deusa e o Deus apaixonam-se. Nesta data são celebrados rituais de fertilidade e imensas fogueiras são acesas. As fogueiras de Beltane simbolizam o calor da paixão e a intensidade da interação entre a Deusa e o Deus, e a crescente fecundidade da Terra.

Belenos é a face radiante do Sol, que voltou ao mundo na Primavera. Em Beltane se acendem duas fogueiras, pois é costume passar entre elas para se livrar de todas as doenças e energias negativas. Nos tempos antigos, costumava-se passar o gado e os animais domésticos entre as fogueiras com a mesma finalidade. Daí veio o costume de "pular a fogueira" nas festas juninas. Se não houver espaço, duas tochas ou mesmo duas velas podem ter a mesma função.

Uma das mais belas tradições de Beltane é o MAYPOLE, ou MASTRO DE FITAS. Trata-se de um mastro enfeitado com fitas coloridas. Durante um ritual, cada membro escolhe uma fita de sua cor preferida ou ligada a um desejo. Todos devem girar trançando as fitas, como se estivessem tecendo seu próprio destino, colocando-nos sob a proteção dos Deuses.



As Fogueiras de Beltane


Na antiga religião, antes da Igreja destruir este culto e transformá-lo no que se conhece como "bruxaria", os camponeses iam para os bosques de carvalhos à noite e acendiam enormes fogueiras para a Deusa o que tornou esta festividade conhecida como As Fogueiras de Beltane.

Nesta época, os princípios morais vigentes eram outros, a mulher era um ser livre e não havia o machismo como hoje se conhece. As sociedades eram matriarcais. Sendo assim, nesta noite de Beltane, as moças virgens e mesmo as casadas, iam para os bosques na celebração do que se chamava "O Gamo Rei" onde os rapazes copulavam com as moças sob a lua cheia guiados pelo instinto num ritual de fecundidade e vida.

As crianças que por ventura fossem geradas nesta noite eram consideradas especiais e normalmente as meninas viravam sacerdotisas e os meninos magos. O ritual era consagrado à Deusa para que esta trouxesse sempre boas colheitas através da fertilidade da terra. Embora o culto fosse predominantemente feminino, não se excluía, de forma alguma, o papel do Deus, pois, a essência de Beltane, sendo a fecundação, impunha sempre, a presença do feminino e masculino.

Sendo assim, no Beltane, os meninos tinham a sua cerimônia de passagem da adolescência para a maturidade. O rapaz personifica o Deus e a virgem, a Deusa. Na escolha de um rei, o rapaz veste a pele de um Gamo (um veado real) e desafia um gamo de verdade, o líder da manada, e luta com ele até a morte de um deles.

Se o rapaz for o vencedor, terá sido escolhido Rei representando o Deus, o Gamo Rei e terá uma noite com a Virgem que representa a Deusa onde um herdeiro será concebido. O novo herdeiro, um dia deverá disputar com o pai pelo trono. O Gamo Novo e o Gamo Velho...

O Rei Arthur passou por esta prova numa noite nas fogueiras de Beltane conforme o romance Brumas de Avalon.

Quando não era preciso escolher-se um rei, a luta com o gamo não era necessária e a tradição seguia apenas como uma representação ritual.

A tradição do Gamo Rei foi transformada, através dos tempos, e a imagem do gamo, em alguns cultos, substituída pela de qualquer animal que tivesse galhos ou chifres, sempre representando a divindade masculina do Deus que recebe os nomes de Galhudo, Cornélio, Cornudo e até mesmo Chifrudo sem ter qualquer conotação com o que a Igreja estabeleceu como "demônio do mal". Os galhos na antiguidade eram sinônimo de força e honra e não o que hoje significam.

Então, no 31 de outubro ou 01 de novembro, estaremos na Lua cheia, ao ar livre, recebendo o luar e longe de qualquer coisa feita pela mão do homem. Deveríamos fazer um círculo com pedras, ficar dentro dele e acender uma pequena fogueira. Este ritual de fertilidade vai promover mudanças na vida de todo aquele que entender o significado do Beltane. Na verdade é um louvor a Terra, à Natureza e à Mãe de todas as coisas. É uma data muito bonita e de grande significado.

Em Beltane nós nos abrimos para o Deus e a Deusa da Juventude. Não importa quanto velhos sejamos, em Beltane, sentimo-nos jovens novamente e nos unimos ao fogo da vitalidade e juventude e permitimos que esta vitalidade nos vivifique e cure.

Quando jovens talvez usássemos este tempo como uma oportunidade para conectar nossa sensualidade de um modo criativo e quando mais velhos esta conexão será obtida através da união dentro de nós mesmos, das nossas naturezas feminina e masculina. A integração entre nossos dois aspectos interiores, feminino e masculino, é o caminho da espiritualidade e Beltane representa o tempo onde podemos nos abrir amplamente para este trabalho permitindo que a natural união das polaridades ocorra naturalmente. Este é um trabalho essencialmente alquímico.



Midsummer - Solstício de Verão
(21 de Junho - Hemisfério Norte) e (21 de Dezembro - Hemisfério Sul)


Nesse dia o Sol atingiu a sua plenitude. É o dia mais longo do ano. O Deus chega ao ponto máximo de seu poder. Este é o único Sabbat em que às vezes se fazem feitiços, pois o seu poder mágico é muito grande.

É hora de pedirmos coragem, energia e saúde. Mas não devemos nos esquecer que, embora o Deus esteja em sua plenitude, é nessa hora que ele começa a declinar.

Logo Ele dará o último beijo em sua amada, a Deusa, e partirá no Barco da Morte, em busca da Terra do Verão.

Da mesma forma, devemos ser humildes para não ficarmos cegos com o brilho do sucesso e do Poder. Tudo no Universo é cíclico, devemos não só nos ligarmos à plenitude, mas também aceitar o declínio e a Morte.

Nesse dia, costuma-se fazer um círculo de pedras ou de velas vermelhas. Queimam-se flores vermelhas ou ervas solares (como a Camomila) juntamente com os pedidos no Caldeirão.

Na noite de Midsummer (o Solstício de Verão) fadas, duendes e toda a sorte de elementais correm pela terra, celebrando o fervor da vida. A data era comemorada nos tempos antigos geralmente com jogos e festivais. O corpo e o físico são reverenciados nesta data.



Lughnasadh ou Lammas - Festa da Colheita
(01 de Agosto - Hemisfério Norte) e (01 de Fevereiro - Hemisfério Sul)


Lughnasadh era tipicamente uma festa agrícola, onde se agradecia pela primeira colheita do ano. Lugh é o Deus Sol.

Na Cultura Celta, ele é o maior dos guerreiros, que derrotou os Gigantes, que exigiam sacrifícios humanos do povo. A tradição pede que sejam feitos bonecos com espigas de milho ou ramos de trigo representando os Deuses, que nesse festival são chamados Senhor e Senhora do Milho.

Nessa data deve-se agradecer a tudo o que colhemos durante o ano, sejam coisas boas ou más, pois até mesmo os problemas são veículos para a nossa evolução.

O outro nome do Sabbat é Lammas, que significa "A Massa de Lugh". Isso se deve ao costume de se colher os primeiros grãos e fazer um pão que era dividido entre todos. Os celtas faziam um pão comunitário, que era consagrado junto com o vinho e repartido dentro do círculo.

O primeiro gole de vinho e o primeiro pedaço de pão devem ser jogados dentro do Caldeirão, para serem queimados juntamente com papéis, onde serão escritos os agradecimentos, e grãos de cereais. O boneco representando o Deus do milho também é queimado, para nos lembrar de que devemos nos livrar de tudo o que é antigo e desgastado para que possamos colher uma nova vida.

Este é o primeiro dos três Sabbats da colheita. O Deus já dominou o mundo das trevas, e agora passará por leves mudanças, seu poder declinando sutilmente com o passar dos dias. Por isso, o honramos, e agradecemos pela energia dispensada sobre as colheitas.



Mabon - Autumn - Equinócio de Outono
(21 de Setembro - Hemisfério Norte) e (21 de Março - Hemisfério Sul)


Este é o segundo dos festivais da colheita (sendo Samhain o terceiro). A fraqueza do Deus já se faz sentir, e as plantações vão aos poucos desaparecendo, enquanto os estoques se enchem. Derrama-se leite sobre a terra para agradecer pela fertilidade e bondade da terra. Agora, nos fechamos, e nossos corações voltam-se para nós mesmos.

No Panteão Celta, Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. Nessa noite devemos pedir harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. Esta é a segunda colheita do ano. O Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na primavera. O chão deve ser forrado com folhas secas.

O Deus está agonizando e logo morrerá. Este é o Festival em que devemos pedir pelos que estão doentes e pelas pessoas mais velhas, que precisam de nossa ajuda e conforto. Também é nesse festival que homenageamos as nossas Antepassadas Femininas, queimando papéis com seus nomes no Caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênçãos.

O período negro do ano se aproxima aos poucos. É uma data especial para evocarmos espíritos familiares, guardiões e antepassados para pedir sua ajuda e aconselhamento no período mais negro da Roda, que em pouco tempo se fará presente.


Estes festivais estão associados aos Ciclos da Terra. Como complemento, temos os festivais solares (solstícios e equinócios), perfazendo assim os oito pontos da Roda do Ano.

O estudo correto dos mitos associados a cada festival, seu simbolismo e sua linguagem mágica, faz com que tenhamos contato com seus significados mais profundos, trazendo assim a verdadeira compreensão dos mistérios.

Quando travamos contato íntimo com os mitos e lendas das deidades associadas a cada festival, percebemos que não é por acaso que o deus Lugh está associado ao período da colheita outonal, existem mil verdades a serem conhecidas por trás da vivência dos festivais.

A Celebração dos Festivais que compõem a Roda do Ano Celta resgata uma ancestral prática de Mistérios, a qual possibilita aos celebrantes a compreensão dos mais profundos significados de seu simbolismo.

Eu, particularmente, tenho por hábito seguir as tradições do hemisfério norte mas, nada impede, já que estamos no sul, de fazermos essa adaptação. É um critério pessoal.

Paz e Luz em seu caminho...